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HyperDIY, “o 1º serviço de substituição de uma editora discográfica”

reblogado do remixtures

Nunca consigo deixar de me supreender sempre que surge uma empresa com um modelo de negócio que parece ir ainda mais longe do que se pensava que era possível no que diz respeito à desintermediação do circuito produtivo da música. Através do Digital Noise, fiquei a conhecer uma empresa chamada HyperDIY Media criada por dois músicos londrinos, Dwan Firth e Richard Godbehere, que se propõem a fornecer o “primeiro serviço de substituição de uma editora discográfica” do mundo.

Basicamente, eles comprometem-se a tratar de toda uma série de serviços que são normalmente abrangidos num contrato discográfico tradicional: desde a promoção à distribuição de um disco, passando pela mixagem/masterização, produção de vídeos, impressão de CDs, criação de MP3s, etc. Em troca, as bandas ou os músicos apenas têm que desembolsar uma quantia fixa. Assim, os artistas só têm que se preocupar com o essencial: compor, gravar e tocar.

Por enquanto, eles apenas estão a aceitar trabalhos de artistas residentes no Reino Unido e nos Estados Unidos, mas a intenção deles é alargar a companhia a outros territórios. Por 299 libras ou 579 dólares (cerca de 385 euros), eles comprometem-se a tratar da masterização de um máximo de 12 músicas de modo a que o som das faixas esteja ao nível de um disco com qualidade profissional, imprimir o disco num CD-R com capa e tudo, distribuir o CD através da rede de distribuição online e offline da CDBaby, colocá-lo à venda na Amazon UK, distribuir versões digitais dos temas a lojas online como a do iTunes, produzir um press-release profissional, enviar um kit electrónico de media a uma série de profissionais/executivos da indústria discográfica e a jornalistas especializados.

Se isto parece fruta a mais, então fiquem a saber que todas as receitas geradas com o disco vão para os músicos. A HyperDIY apenas se reserva o direito de cobrar 10 por cento das vendas do CD realizadas através da Amazon UK para pagar as depesas de funcionamento. Isto vai contra todas as normas convencionais na indústria discográfica, onde as editoras se propõem a avançar com adiantamentos mas cobram em troca percentagens enormes sobre as receitas derivadas das vendas dos discos. Regra geral, as bandas acabam endividadas para o resto da vida.

De qualquer forma, para quem tem receio de entrar com uma quantia razoável, eles oferecem um pacote básico chamado Appetizer (“Aperitivo”) que dá a oportunidade de experimentar o serviço. Por apenas 99 libras ou 195 dólares (cerca de 130 euros), eles encarregam-se de masterizar uma música, distribuí-la através da loja online do iTunes e da Amazon, produzir um kit electrónico de media e elaborar press-release profissional. Quem quiser ir mais longe pode optar por pacotes mais avançados.

O serviço da HyperDIY é também interessante na medida em que eles aceitam todas as bandas independentemente da sua qualidade. Não se trata de impor filtros mas sim disponibilizar às bandas condições para divulgarem ao público o seu trabalho nas melhores condições possíveis.

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O bê-á-bá da máquina de extorsão e mentira da RIAA explicado aos juízes dos EUA

reblogado do remixtures

Em princípio, o papel dos juízes consiste em fazer aplicar a Justiça em nome do povo. Como tal, pressupõe-se que a sua posição seja imparcial, esclarecida e fundada na verdade dos factos. No entanto, na prática é muito difícil atingir esse ponto de equilíbrio, sobretudo em áreas de Direito que desafiam as noções legais em que os sistemas jurídicos das sociedades contemporâneas se baseiam por dizerem respeito a tecnologias e comportamentos que ainda não se encontram tipificados e que não fazem parte do quotidiano da maioria da população.

Nos casos que dizem respeito à partilha online de ficheiros relativos a conteúdos protegidos por direitos de autor, esta situação de desajustamento entre a falta de competências e formação dos juízes encarregados de apreciarem estes casos e as potencialidades concretas da tecnologia é deveras gritante. Na maioria das situações em que cidadãos comuns e inocentes acabam por sair prejudicados, essas decisões estão erradas não por serem desonestas, por terem sido tomadas em má fá ou devido à corrupção mas pura e simplesmente por serem fruto da ignorância e do desconhecimento.

Ray Beckerman é um dos poucos advogados norte-americanos que domina realmente o funcionamento da Internet e das redes de partilha de ficheiros, sendo desde há vários anos um dos maiores defensores dos cidadãos que foram processados pela RIAA, a Associação da Indústria Discográfica Norte-americana. Mas infelizmente, a sua voz acaba por passar muitas vezes ao lado dos magistrados.

Recentemente, Beckerman foi convidado pelo The Judge’s Journal, um jornal trimestral da Divisão Judicial da American Bar Association – a secção de juízes da “Ordem dos Advogados” dos EUA – a escrever um artigo para o número de Verão daquela publicação. Beckerman aceitou esta oportunidade única para dirigir-se directamente a milhares de juízes norte-americanos e escreveu um artigo intitulado “”Large Recording Companies vs. The Defenseless: Some Common Sense Solutions to the Challenges of the RIAA Litigations” (Grandes Companhias Discográficas vs Os Indefesos: Algumas Soluções de Senso Comum aos Desafios dos Lítigios da RIAA). A versão em PDF está aqui. Quem preferir, o texto também se encontra disponível em HTML.

Apesar do artigo ser algo extenso (oito páginas mais duas para as notas de rodapé), aconselho a sua leitura a todos os que sempre desejaram saber mais sobre como é que a RIAA obtém o nome do subscritor da ligação à Internet a que está associado o endereço IP do suspeito de descarregar músicas sem autorização dos detentores de direitos e o valor dos montantes exorbitantes e desproporcionais em relação ao preço de venda dos ficheiros cobrado pelos advogados da RIAA para resolver o processo sem que o caso chegue sequer a tribunal.

É certo que muitas das questões abordadas por Beckerman já foram abordadas nestas páginas, mas este artigo é de particular importância para quem tem formação jurídica pois ele integra 15 sugestões propostas por Beckerman aos juizes no sentido dos Tribunais proporcionarem uma real igualdade de oportunidades a ambas as partes como exigir que todos os casos apresentados digam respeito a factos ocorridos na sua jurisdição, analisar atentamente todas as queixas que abusem de jargão técnico para disfarçar a falta de provas, obrigar que os queixosos paguem as despesas relacionadas com o depoimento de peritos, obrigar os queixosos a pagarem as despesas judiciais do réu sempre que o tribunal indeferir uma queixa, etc.

(via TorrentFreak)

Nota: a imagem que acompanha este artigo está disponível aqui segundo uma licença CC-BY 2.0 e pertence a wwward0.

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Cassetes fazem sucesso nas prisões dos Estados Unidos

Já alguma vez tentaram imaginar um mundo sem acesso à Internet e onde os fãs de música não pudessem descarregar álbuns inteiros com apenas um clique? Onde não existissem iPods nem outros leitores de MP3? Onde nem sequer os CDs fossem permitidos? E, finalmente, onde o sistema de distribuição de música estivesse concentrado nas mãos de uma única empresa? Pois bem, essa é a realidade quotidiana dos presos nas cadeias dos Estados Unidos.

Aqui só são autorizadas cassetes de áudio e mesmo assim os inúmeros parafusos que as integram têm que ser todos removidos. Em muitas cadeias, os CDs são considerados uma forma de contrabando uma vez que as rodelas de plástico podem ser facilmente transformadas em objectos cortantes. Quem tem lucrado imenso com estas normas é Bob Paris, proprietário da Pack Central. Esta empresa comercializa música a cerca de 50 mil prisioneiros norte-americanos através de um sistema de encomenda postal.

Ao todo, a Pack Central possui um catálogo de mais de cinco mil títulos em cassetes e dez mil títulos em CD, representando as cassetes 60 por cento das vendas. Mas apesar das cassetes serem preferidas por muitas autoridades prisionais por muito dificilmente poderem ser usadas como armas, Paris tem tido alguma dificuldade em arranjar cassetes. Isto porque muitas editoras já abandonaram a publicação de álbuns em cassetes. A Pack Central envia o seu catálogo duas vezes ao ano e envia boletins postais uma vez por mês informando os detidos dos novos lançamentos que já estão disponíveis.

Em declarações à Reuters, Bob Paris afirma que o seu negócio até nem vai nada mal, tendo em conta as agruras pelos quais as lojas de discos têm passado nos últimos anos: as suas vendas andam na ordem do um milhão de dólares ao ano. Ele sabe que a Pack Central nunca será negativamente afectada pela partilha de ficheiros: “Eu não me tenho que preocupar com os downloads legais ou ilegais. O melhor de tudo é que os prisioneiros não têm acesso à Internet e nunca terão.”

Agora é que eu me apercebi: o sonho definitivo das quatro grandes editoras discográficas seria impor a todos os fãs de músicas as mesmas restrições a que as pessoas que se encontram detidas nas cadeias dos Estados Unidos são sujeitas. De qualquer forma, ao lermos a peça da Reuters ficamos a saber que os discos que se encontram neste momento no Top prisional dos EUA são os seguintes:

Lil Wayne – Tha Carter III
Mariah Carey – E=MC2
Usher – Here I Stand
Rihanna – Good Girl Gone Bad
Nickelback – All the Right Reasons
Leona Lewis – Spirit
Lyfe Jennings – Life Change

E os maiores sucessos de vendas de sempre são:

Al Green – Greatest Hits
Linkin Park – Hybrid Theory
Michael Jackson – Thriller
Pink Floyd – The Dark Side of the Moon
Um best-off dos Stylistics

(via Idolator)

Nota: as imagens que acompanham este artigo estão disponíveis aqui e aqui segundo uma licença CC-BY-NC 2.0 e pertencem a greenapplegrenade e a clonny.

reblogado de http://remixtures.com/2008/07/cassetes-fazem-sucesso-nas-prisoes-dos-estados-unidos/

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IPETEE, a tecnologia do Pirate Bay para encriptar toda a Internet

reblogado do Remixtures e Publicado 12 Jul 08 no

Passadas poucas semanas depois da Suécia ter aprovado uma lei que autoriza a monitorização e vigilância de todos os emails e comunicações electrónicas dos cidadãos comuns, eis que os piratas suecos vêm a público revelar os detalhes de um novo projecto chamado IPETEE (Transparent end-to-end encryption for the internets), uma tecnologia ainda em desenvolvimento que, garantem eles, irá permitir encriptar todo o tráfego de dados transmitidos pela Internet. Nada modestos estes rapazes… Mas também, a megalomania já se tornou um elemento indispensável da mitologia que rodeia os fundadores do Pirate Bay.

O objectivo desta tecnologia é transformar a Rede num ambiente totalmente invulnerável a mecanismos de monitorização de tráfego, filtragem de conteúdos e trafffic shaping implementados por fornecedores de acesso à Internet, indústrias de entretenimento e governos. Tendo em conta a actual vaga de ataques originários de todos os lados que atentam contra a liberdade dos internautas, a proposta do Pirate Bay para esta tecnologia de encriptação de ponta a ponta não poderia ter vindo em melhor altura. Mas a verdade é que os administradores do popular site de torrents não foram, nem por sombras, os primeiros a ter esta ideia.

O tipo de encriptação que eles estão a desenvolver não se destina a efectuar-se ao nível das aplicações mas antes directamente ao nível do protocolo de rede de modo a abranger todos os tipos de comunicação emails, Web, P2P, streaming, instant messaging, etc.

De acordo com Fredrik Neij (AKA Tiamo), a ideia veio-lhe à mente na Primavera de 2007, por alturas do debate a respeito da IPRED2, a nova directiva comunitária para a aplicação dos direitos de propriedade intelectual. De então para cá, o projecto esteve um pouco adormecido pois só no mês passado, quando o parlamento sueco aprovou a nova lei que implanta esse Big Brother electrónico em nome da “luta contra o terrorismo” é que ele decidiu publicar um esboço de uma proposta. Neij garante que o sistema de encriptação estará pronto antes da entrada em vigor da lei, prevista para Janeiro de 2009.

Em termos práticos, o IPETEE deverá funcionar como uma espécie de plug-in para Windows, Mac OS e Linux que se encarregará de administrar todas as entradas e saídas de dados e de as encriptar sempre que isso seja possível, sem que o utilizador tenha que mexer uma palha: em cada ligação, o IPETEE irá comprovar se o servidor remoto suporta a tecnologia de encriptação. Se sim, ele irá enviar as chaves criptográficas de modo a que o envio da informação seja possível. Quando essa informação chegar ao computador de destino, ela é automaticamente desencriptada. Se o servidor remoto não suportar a tecnologia, então a comunicação irá realizar-se através de uma ligação aberta.

A grande falha da tecnologia que os administradores do Pirate Bay estão a desenvolver é que ao contrário de outras soluções como o Tor, o GnuNet e o I2P que permitem esconder os nossos endereços IP, o IPETEE apenas encripta o conteúdo das comunicações, pelo que não garante o anonimato nem protege o utilizador de eventuais ataques de intercepção de dados do tipo man-in-the-middle. Por outro lado, para além de poder provocar atrasos no estabelecimento das ligações, o mecanismo é também vulnerável a soluções de bloqueio de tráfego como a Deep Packet Inspection.

Apesar destes defeitos, o IPETEE pode bem ser uma resposta eficaz face a soluções como a resposta gradual uma vez que passaria a ser impossível provar qual o tipo de conteúdos que os suspeitos partilharam. É o jogo do gato e do rato em pleno funcionamento. Com toda a certeza que este é apenas o primeiro passo para a massificação de armas de defesa cada vez mais anónimas, seguras e eficazes. Quanto mais os inimigos da liberdade tentarem controlar a Rede, mais os abusadores da liberdade (pedófilos, cibercriminosos e terroristas), vão acabar por tirar partido de subterfúgios para fugir a esse controlo. No final, os ISPs, governos e indústrias de entretenimento apenas acabam por contribuir para um extremar de posições em que os artistas e os inocentes são os verdadeiros prejudicados. E pensar que tudo teria sido tão mais fácil se entidades como as editoras discográficas optassem por dialogar com as produtoras de software P2P…

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