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P4P: o “Cavalo de Tróia do P2P”?

reblogado do remixtures.com e Publicado 25 Ago 08

Réplica do Cavalo de Tróia

Uma das novas buzzwords no campo das tecnologias de partilha de ficheiros chama-se P4P (Proactive Network Provider Participation for P2P), uma tecnologia desenvolvida por investigadores da Universidade de Yale e de Washington que muitos ISPs estão a tentar aperfeiçoar de modo a acabar com os congestionamentos das suas infra-estruturas de rede provocados pelos protocolos de P2P que – apesar do crescimento do streaming de vídeo – ainda consomem boa parte da largura de banda disponível.

Como eu referi aqui em Março passado, a vantagem aparente do P4P é que ele faz com que qualquer aplicação de partilha de ficheiros se ligue prioritariamente aos pares situados mais próximos de nós em termos geográficos durante as transferências de dados, em vez do modo semi-aleatório de ligação do BitTorrent via P2P convencional. Como é óbvio, isto representa enorme economias de custos para os fornecedores de acesso à Internet uma vez que o tráfego local é bastante mais barato do que aquele que sai fora da rede.

Depois de um primeiro teste realizado em Fevereiro desde ano organizado pela operadora de telecomunicações norte-americana Verizon e o ISP espanhol Telefónica que registou ganhos de eficiência no P2P de 50 por cento e um aumento médio da velocidade de downloads na ordem dos 60 por cento – tendo mesmo em certos casos sido registados aumentos de 200 por cento -, em Junho voltaram a ser realizados novos testes, desta vez com a participação da Verizon e da Comcast e apesar de não terem sido divulgados quaisquer resultados, parece que a experiência correu tão bem que os investigadores já pensam em realizar uma nova ronda de testes, mas desta vez centrada no streaming de vídeo em tempo real via P2P.

Na semana passada, os investigadores da Universidade de Yale e da Universidade de Washington apresentaram os seus mais recentes resultados sob a forma de um artigo científico onde explicam mais em pormenor o modo de funcionamento desta tecnologia.

À partida, o P4P parece ser uma solução milagrosa para um problema que atormenta muitos ISPs: como lidar com esse devorador de largura de banda chamado BitTorrent? Mas o rol de inconvenientes desta solução começa quando nos damos conta de que ela exige um certo grau de colaboração entre os ISPs e os programadores de P2P de modo a que os primeiros possam comunicar ao cliente de partilha de ficheiros qual o caminho mais rápido para chegar aos conteúdos e manter o tráfego dentro da sua rede, nota Thomas Mennecke da Slyck.

Para tal, cada operador necessita de manter um iTracker, um servidor encarregado de controlar o grau de congestionamento de uma rede e que se encontra directamente ligado ao cliente de P2P sempre que é efectuado um pedido de um ficheiro. É o remédio santo para acabar com todos os congestionamentos. Mas a que custo?

Mais importante do que isso, há quem esteja bastante desconfiado com as verdadeiras intenções do grupo de trabalho e a organização por detrás do P4P, a Associação da Indústria de Computação Distribuída (DCIA). Esta entidade foi criada em 2002 por uma série de fornecedores de acesso à Internet, empresas de desenvolvimento de software P2P, bem como por vários importantes fornecedores de conteúdos como estúdios de Hollywood e produtoras de televisão (Walt Disney, Sony Pictures, AOL Time Warner, Vivendi Universal, Metro-Goldwyn-Mayer, Viacom e News America) com o propósito declarado de encontrar medidas técnicas capazes de limitar o tráfego peer-to-peer não autorizado, como alerta o Ernesto do Torrent Freak.

Segundo ele, as razões para torcer o nariz ao P4P não acabam por aqui. Tendo em conta que os utilizadores do P4P terão mais probabilidades de partilhar com pares locais, enquanto que os utilizadores de P2P convencional partilham com todos, existem motivos suficientes para suspeitar que a tecnologia poderá diminuir a velocidade das transferências de todos os utilizadores que empregarem clientes não compatível ou que estão ligados a ISPs que não suportam o P4P. Na prática, isto compromete gravemente os princípios da neutralidade da rede. Será que o P4P ainda vai acabar por ser o “Cavalo de Tróia” do P2P, a arma secreta dos ISPs para acabar com todas as partilhas de conteúdos não autorizados e criar ambiente seguro, controlado, asséptico e “aceitável”? Para um contra-argumento, leiam a posição do Janko Roettgers no P2P Blog que considera que o P4P pretende ser apenas uma entidade neutral

 

Nota: a imagem que acompanha este artigo está disponível aqui segundo uma licença CC-BY-NC-ND 2.0 e pertence a GoGap.

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O Partido Pirata Brasileiro – http://www.partido-pirata.org/

Pela lista do estudiolivre.org recebi o email do partido pirata brasileiro. Ainda tô pesquisando pra ver quem são as figuras que fazem parte do movimento mas vale dar uma sacada no site.  http://www.partido-pirata.org/

Os partidos piratas existem em vários países como espanha e outros da Europa, mas é originário da Suécia. No mapa abaixo dá pra dar uma sacada na dimensão dos partidos.

from –> http://en.wikipedia.org/wiki/Pirate_Party

██ Officially registered Pirate Party

██ Active Pirate Party, not registered yet

██ Discussions on Pirate Party International

██ No Pirate Party

Um texto do site brasileiro

Filosofia Pirata

Com o advento de novas tecnologias, a transmissão de dados e informações ocorre hoje em velocidades surpreendentes quando comparadas a alguns anos. Infelizmente, a legislação não segue no mesmo ritmo.

O sistema de patentes e direitos autorais, criado para proteger o autor e sua obra, tornou-se um intrumento deturpado que inibe a criatividade e cria diversos entraves burocráticos na distribuição cultural, causando a concentração de informação, e levando ao aumento do mercado informal e a venda de produtos ilegais. Quem perde é o autor, o governo, e a população.

Criado em 2006 na Suécia, o Partido Pirata hasteou a bandeira da reforma da propriedade intelectual, trazendo propostas para a adaptação da legislação a uma realidade dinâmica e as novas formas de interação do mercado. O ideal do compartilhamento de informações é respaldado por inovações na forma de comércio (Open Business), compartilhamento de informação (Creative Commons), venda de músicas (Maddona, Radiohead), Industria de cinema (Nigéria), Empréstimos p2p (Prosper, Grameen, Kiva) e diversos outras experiências que mostram na prática as vantagens que afloram da diminuição de restrições do acesso ao conhecimento e da aproximação entre pessoas.

Como este foco, o Movimento Partido Pirata se propõe a levar essa e outras questões tais como respeito a privacidade, neutralidade da internet e democratização do acesso ao conhecimento, ao Governo em todas as suas esferas, representando assim o semblante dos novos tempos.

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IPETEE, a tecnologia do Pirate Bay para encriptar toda a Internet

reblogado do Remixtures e Publicado 12 Jul 08 no

Passadas poucas semanas depois da Suécia ter aprovado uma lei que autoriza a monitorização e vigilância de todos os emails e comunicações electrónicas dos cidadãos comuns, eis que os piratas suecos vêm a público revelar os detalhes de um novo projecto chamado IPETEE (Transparent end-to-end encryption for the internets), uma tecnologia ainda em desenvolvimento que, garantem eles, irá permitir encriptar todo o tráfego de dados transmitidos pela Internet. Nada modestos estes rapazes… Mas também, a megalomania já se tornou um elemento indispensável da mitologia que rodeia os fundadores do Pirate Bay.

O objectivo desta tecnologia é transformar a Rede num ambiente totalmente invulnerável a mecanismos de monitorização de tráfego, filtragem de conteúdos e trafffic shaping implementados por fornecedores de acesso à Internet, indústrias de entretenimento e governos. Tendo em conta a actual vaga de ataques originários de todos os lados que atentam contra a liberdade dos internautas, a proposta do Pirate Bay para esta tecnologia de encriptação de ponta a ponta não poderia ter vindo em melhor altura. Mas a verdade é que os administradores do popular site de torrents não foram, nem por sombras, os primeiros a ter esta ideia.

O tipo de encriptação que eles estão a desenvolver não se destina a efectuar-se ao nível das aplicações mas antes directamente ao nível do protocolo de rede de modo a abranger todos os tipos de comunicação emails, Web, P2P, streaming, instant messaging, etc.

De acordo com Fredrik Neij (AKA Tiamo), a ideia veio-lhe à mente na Primavera de 2007, por alturas do debate a respeito da IPRED2, a nova directiva comunitária para a aplicação dos direitos de propriedade intelectual. De então para cá, o projecto esteve um pouco adormecido pois só no mês passado, quando o parlamento sueco aprovou a nova lei que implanta esse Big Brother electrónico em nome da “luta contra o terrorismo” é que ele decidiu publicar um esboço de uma proposta. Neij garante que o sistema de encriptação estará pronto antes da entrada em vigor da lei, prevista para Janeiro de 2009.

Em termos práticos, o IPETEE deverá funcionar como uma espécie de plug-in para Windows, Mac OS e Linux que se encarregará de administrar todas as entradas e saídas de dados e de as encriptar sempre que isso seja possível, sem que o utilizador tenha que mexer uma palha: em cada ligação, o IPETEE irá comprovar se o servidor remoto suporta a tecnologia de encriptação. Se sim, ele irá enviar as chaves criptográficas de modo a que o envio da informação seja possível. Quando essa informação chegar ao computador de destino, ela é automaticamente desencriptada. Se o servidor remoto não suportar a tecnologia, então a comunicação irá realizar-se através de uma ligação aberta.

A grande falha da tecnologia que os administradores do Pirate Bay estão a desenvolver é que ao contrário de outras soluções como o Tor, o GnuNet e o I2P que permitem esconder os nossos endereços IP, o IPETEE apenas encripta o conteúdo das comunicações, pelo que não garante o anonimato nem protege o utilizador de eventuais ataques de intercepção de dados do tipo man-in-the-middle. Por outro lado, para além de poder provocar atrasos no estabelecimento das ligações, o mecanismo é também vulnerável a soluções de bloqueio de tráfego como a Deep Packet Inspection.

Apesar destes defeitos, o IPETEE pode bem ser uma resposta eficaz face a soluções como a resposta gradual uma vez que passaria a ser impossível provar qual o tipo de conteúdos que os suspeitos partilharam. É o jogo do gato e do rato em pleno funcionamento. Com toda a certeza que este é apenas o primeiro passo para a massificação de armas de defesa cada vez mais anónimas, seguras e eficazes. Quanto mais os inimigos da liberdade tentarem controlar a Rede, mais os abusadores da liberdade (pedófilos, cibercriminosos e terroristas), vão acabar por tirar partido de subterfúgios para fugir a esse controlo. No final, os ISPs, governos e indústrias de entretenimento apenas acabam por contribuir para um extremar de posições em que os artistas e os inocentes são os verdadeiros prejudicados. E pensar que tudo teria sido tão mais fácil se entidades como as editoras discográficas optassem por dialogar com as produtoras de software P2P…

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